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| Presidente dos operários: Luís Inácio Lula da Silva |
A nova lei orgânica do partidos, aprovada em dezembro de 1979, numa das ultimas artimanhas do general Golbery do Couto e Silva, extinguiu o bipartidarismo no Brasil e, ao acabar com a Arena e o MDB, abriu caminho entre escombros desses dois partidos mastodônticos, para o surgimento de várias outras siglas, entre as quais as mais inovadora foi a do partido dos trabalhadores (PT). Ao patrocinar o ressurgimento do pluripartidarismo, o verdadeiro objetivo do governo era acabar com o gigantismo do MDB. Os estrategistas do planalto imaginavam que, além da Arena (rebatizada de PDS) não haveria no cenário político do país espaço para mais do que três partidos: um de centro, comandado por Tancredo Neves; outro populista, à sombra de Leonel Brizola; e o terceiro, agrupando alas mais radicais da esquerda em torno de Miguel Arraes.
Os cálculos falharam: o partido popular (PP) de Tancredo surgiu, mas jamais teve força. Brizola perdeu a sigla PTB para Ivete Vargas e teve de criar o PDT, enquanto o recém-criado PMDB manteve muito da estrutura do antigo MDB. Tida como "uma infâmia" por seu ex-presidente, Ulysses Guimarães, a extinção do MDB seria saudada pelo ministro da justiça, Petrônio Portella, o como "o arquivamento da camisa de força do bipartidarismo" e o início efetivo da redemocratização. De qualquer maneira, foi tal reforma que permitiu ao governo afastar o fantasma do desastre das eleições diretas para governador, convocadas pelo presidente Figueiredo em 1980 realizadas em 1982. De todo o modo, após o fim do bipartidarismo, quase tudo permaneceria com dantes no quartel de Abrantes, não fosse o surgimento e o surpreendente crescimento do PT.
O PT nasceu fraco e menosprezado, numa mesa de um restaurante frango-com-polenta, em 1980, em São Bernardo do Campo (SP). Era a Ponta-de-lança do movimento sindicalista na região do ABC, que desafiara o governo militar ao deflagrar, em 1978 e 1979, greves gerais nas quais mais de 300 mil metalúrgico cruzaram os braços. Aos operários - da indústrias automobilística juntaram-se intelectuais de esquerda, as comunidades eclesiais de base, a Pastoral da Terra e a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
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| Lula na revista Time nos anos 70 |
HERÓI DA CLASSE OPERÁRIA
Dos confins de Pernambuco ás páginas da revista Time (acima), Lula adquiriu notoriedade ao comandar as greves de metalúrgicos do ABC paulista, no final dos anos 70, ainda sob a ditadura militar. Ajudou a construir o PT e tornou-se um símbolo do movimento operário no Brasil.
Tendo como palavras de ordem autogestão e democracia social, o PT cresceria brutalmente sob a liderança de seu presidente, Luís Inácio Lula da Silva, líder do sindicalismo do ABC. A consagração definitiva de Lula e do PT se daria em 1989, quando, pela primeira vez na história do Brasil, um operário - o próprio Lula, é claro - disputou a presidência da república. Lula não ganhou (assim como voltaria a perder em 1994), mas seu desempenho eleitoral foi um dos fenômenos mais surpreendentes dos anais da política brasileira.
Na verdade, a biografia de Lula teima em contrariar o destino. Nascido em 27 de outubro de 1945, em Garanhuns, nos cafundós do sertão de Pernambuco, sétimo dos 18 filhos dos lavradores Eurídice e Aristides Silva, Lula mudou-se com a família para São Paulo ao sete anos. Aos 15, empregou-se como metalúrgico de São Bernardo do Campo e Diadema, no qual chegou a presidência em 1975. Foi várias vezes preso com base na lei de segurança nacional e destituído do cargo de presidente do seu sindicato. Mas em 1986 elegeu-se deputado federal constituinte com 650 mil votos, a maior votação do país. Após as duas derrotas nas disputas presidenciais ( para Collor), Lula não voltou ao trabalho, vive numa casa emprestada e ocupa o cargo de presidente de honra do PT. Em 1997, foi acusado - sem que nada se provasse - de solicitar que certa empresa fosse favorecido por prefeituras ocupadas pelo PT. Aglutinando as principais tendências de esquerda do país, o PT se debate entre os delírios de sua ala radical e as alianças propostas pela ala moderada.

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