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sábado, 7 de novembro de 2015

Primeira Guerra Mundial - Mundo em conflito I

Imagem meramente ilustrativa

Uma guerra generalizada, envolvendo muitos países, foi vivida por milhões de pessoas no século XX. Para distinguir esse grande conflito dos anteriores, ele ficou conhecida como Primeira Guerra Mundial.
O que teria provocado um conflito de tais proporções?

ANTECEDENTES

A situação conflituosa do início do século

Algumas sociedades europeias iniciaram o século XX num clima de muita tensão. As ligações entre diversos povos e governos era afetada por vários conflitos, ligados a rivalidade, disputas e ressentimentos. Essas condições contribuíram para gerar um clima belicoso sem precedentes, que culminou no maior confronto armado até então, denominado por algum tempo grande guerra.
Como era a primeira vez que um conflito envolvia as principais potências mundiais de sua época, os historiadores chamam esse conflito de Primeira Guerra Mundial (ou primeira grande guerra).
A Primeira Guerra Mundial (1914 - 1918) deixou como saldo uma Europa semidestruída, além de milhões de mortos e feridos.



IMPERIALISMO E NACIONALISMO

Os diversos conflitos que favoreceram o clima belicoso podem ser enquadrados, de modo geral, em duas categorias de interesses:

  • Imperialistas  -  que levaram as principais potencias capitalistas a uma concorrência desmedida por territórios e novos mercados, além de adoção de politicas internas protecionistas.
  • Nacionalistas  -  que catalizaram antigas rivalidades e ressentimentos, resultando em projetos expansionistas e revanchistas, carregados de fervor patrióticos.
A GRANDE GUERRA

O estopim da Primeira Guerra Mundial foi o assassinato do arque duque, Francisco Ferdinando, herdeiro do trono Austro-Húngaro, e de sua esposa na cidade de Sarajevo (Bósnia), em 28 de junho de 1914. O autor do crime foi um estudante, Gavrilo Princip, pertencente a organização secreta nacionalista Unidade ou Morte, também conhecida como Mão Negra, que tinha o apoio do governo sérvio.
O assassinato de Francisco Ferdinando provocou a reação militar da Áustria-Hungria contra a Sérvia. Isso causou - devido à política de alianças - a entrada de muitas outras nações no conflito.

BLOCOS DE PAÍSES

Nos quatro anos que durou o conflito (1914 - 1918), enfrentaram-se dois grandes blocos rivais de países, com base nas alianças firmadas:
  • de um lado, estavam Alemanha, Império Austro-Húngaro, Turquia e Bulgária (as duas últimas em 1914), além de Itália, que depois mudou de lado (1915).
  • de outro, França, Inglaterra, Rússia, Bélgica (inicialmente neutra), Sérvia, Itália (a partir de 1915), Grécia, Japão e Estados Unidos (1917), entre outros.
Era a primeira vez que ocorria uma guerra generalizada, envolvendo as principais potências de diversas regiões do planeta, embora as batalhas tenham acontecido principalmente no continente europeu.
O Brasil foi o único país sul-americano a entrar efetivamente no conflito, declarando guerra a Alemanha. Cooperando com os ingleses, patrulhou a Atlântico Sul e enviou médicos e aviadores à Europa.

PRINCIPAIS FASES
Guerra de Trincheiras

A primeira guerra mundial pode ser dividida em três grandes fases.
  • Primeiras fase (1914 - 1915)  -  Marcada pela intensa movimentação das forças beligerantes. Depois de uma rápida ofensiva das tropas alemãs em território francês, em setembro de 1914, os exércitos franceses organizaram uma contraofensiva, detendo o avanço germânico sobre Paris (Batalha do Marne). A partir desse momento, nenhum dos lados conseguiu vitórias significativas, mantendo-se um equilíbrio de forças nas frentes de combate.
  • Segunda fase (1915 - 1917)  -  A intensa movimentação da fase anterior foi substituída por uma guerra de trincheiras e desgastes, em que cada lado procurava garantir suas posições, evitando o avanço do inimigo. Foi um período extremamente desgastante para as tropas em conflito. Sob ataque intermitente do inimigo, os soldados guarneciam suas posições nas trincheiras, enfrentando frio, fome, chuva e barro.
  • Terceira fase (1917 - 1918)  -  caracterizada pela entrada e saída de outros países na guerra. A marinha alemã, utilizando submarinos, afundou navios tidos como neutros, alegando que transportavam alimentos para os inimigos. Foi o caso, por exemplo, dos navio Lusitânia e Arábia, dos Estados Unidos, e do navio Paraná, do Brasil. Nessa fase da guerra, dois acontecimentos se destacaram: a entrada das forças dos Estados Unidos no conflito (6 de abril de 1917) e a saída dos exércitos da Rússia, devido ao inicio da revolução de 1917 nesse país e à assinatura de um tratado de paz com a Alemanha (3 de março de 1918).
DESTRUIÇÃO E MUDANÇAS

Os combates terrestres da Primeira Guerra Mundial resultaram em números elevados de mortes, em razão do uso de novas armas, com maior poder de destruição, como tanques blindados, metralhadoras, lança-chamas e projéteis explosivos. Além disso, pela primeira vez o avião e o submarino foram usados como recursos militares, ampliando as possibilidades de ataque e devastação.
Fora das frentes de combate, a guerra também trouxe consequências e transformações para a vida das populações europeias. Quase todos os segmentos sociais foram envolvidos, de alguma forma, pelo "estado de guerra".
A economia dos países foi direcionada para aumentar a produção dos artigos necessários à guerra (armas, munições, veículos de transporte, tecidos para confecção de uniformes militares etc.).
Como grande número de homens participavam do combate, considerável parcela de mulheres ingressou no mercado de trabalho industrial, especialmente na Inglaterra, França, Itália e Alemanha.
Com a destruição de diversas estruturas econômicas (fábricas, plantações, estradas, portos etc.) em muitos países, verificou-se a escassez de alimentos, além do aumento do preço dos gêneros de primeira necessidade. Os governos impuseram medidas de racionamento, e a fome espalhou-se por várias camadas da população, principalmente nas regiões próximas às zonas de combate. 

FIM DO CONFLITO

O apoio financeiro e material dado pelos EUA ao entrar na guerra, em 1917, foi decisivo para a vitória da Entente e seus aliados. Seus recursos tornaram-se muito superiores aos da Tríplice Aliança. 
No inicio de 1918, as forças lideradas pela Alemanha já estavam isoladas e sem condições de sustentar os combates. Em 11 de novembro daquele ano, o governo alemão assinou a armísticio (acordo que suspende as atividades de guerra), com condições bastante desvantajosas, por exemplo:
  • retirar suas tropas de todos os territórios ocupados durante a guerra (parte das tropas alemãs estava, naquele momento, em território francês);
  • devolver aos adversários materiais de guerra (canhões, metralhadoras);
  • pagar indenizações pelos territórios ocupados.
PÓS-GUERRA  -  PAZ DOS VENCEDORES
Milhões de mortos da Guerra

Como ficou a Europa logo após o conflito? Em situação traumática e desoladora. Nos diversos locais onde foram travados combates, eram comuns as cenas de destruição de plantações, casas, edifícios, pontes e estradas. 
Do ponto de vista humano, foram imensos os sacrifícios: milhões de mortos, feridos e inválidos. Alguns historiadores estimam um total de 10 milhões de mortos e cerca de 30 milhões de feridos. Uma grave crise socioeconômica acabou assolando os países europeus diretamente envolvidos no conflito, já abalados pelas perdas materiais e humanas e pelos gastos com a guerra.
O sentimento de patriotismo eufórico, que em muitos países havia marcado o início da guerra (quase sempre estimulado pela propaganda governamental), transformou-se, em 1918, num clima geral de desolação e desesperança, seja pela derrota, seja pelo saldo múltiplo da destruição bélica. Afinal, para que tinha servido tanta violência e brutalidade? O que significava "vencer" numa situação como aquela?

CONFERÊNCIA DE PAZ DE VERSALHES

Após a rendição alemã e de seus aliados, realizou-se no palácio de Versalhes, na França, de janeiro de 1919 a janeiro de 1920, uma série de conferências com a participação de representantes das 27 nações "vencedoras" do conflito. Lideradas pelos representantes dos EUA, da Inglaterra e da França, essas reuniões ficaram conhecidas como conferência de paz de Versalhes.
Durante a conferência, elaborou-se o Tratado de Versalhes, concluído em 28 de junho de 1919. Esse documento definiu os termos finais de paz com a Alemanha, pondo fim oficialmente à Primeira Guerra Mundial. 
Uma de suas cláusulas, (a chamada "cláusula de culpa") determinou que a Alemanha era a principal responsável pelo conflito, razão pela qual os alemães sofreram as mais duras imposições. O tratado de Versalhes estipulava, por exemplo, que a Alemanha deveria:
  • restituir a região da Alsácia-Lorena à França;
  • ceder outras regiões a Bélgica, à Dinamarca e à Polônia; 
  • entregar quase todos os seus navios mercadantes à França, à Inglaterra e à Bélgica;
  • Pagar uma enorme indenização aos países vencedores;
  • reduzir o poderio militar de seus exércitos, sendo proibida de constituir aviação militar.
Na Alemanha, a derrota foi acompanhada pela abdicação do cáiser Guilherme II, em novembro de 1918, e pela instauração da república de Weimar. Era o fim do segundo Reich, período da história que teve inicio com reunificação alemã (1871) e terminou com a Primeira Guerra Mundial (1918).

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